Como reduzimos a sobrecarga cognitiva e os erros humanos no gerenciamento de medicamentos, ganhando a confiança dos usuários no processo
2025
Contexto
O conecta4edu é um aplicativo móvel B2B SaaS que funciona como agenda escolar digital, usado pelos responsáveis para acompanhar a vida escolar dos filhos. Um dos seus recursos é o módulo de Notificações, canal de comunicação diária entre a equipe escolar e as famílias dos estudantes.
Problema
Ao criar uma conversa no módulo de Notificações, o responsável precisava selecionar uma turma específica. Em escolas onde o estudante frequenta mais de um curso, isso fragmentava a comunicação: era preciso abrir múltiplos chats sobre o mesmo assunto para alcançar todos os professores. O problema ficou grave quando o assunto era saúde, instruções sobre medicamentos ficavam espalhadas por conversas diferentes e os professores precisavam vasculhar um volume grande de mensagens para encontrar o que precisavam agir.
Processo de Design
A decisão mais estrutural foi vincular as notificações ao estudante, não à turma. Essa simples mudança de abordagem foi o que desbloqueou tudo. Ao selecionar o estudante em vez do curso, o sistema já sabia automaticamente quais professores precisavam receber a informação, sem nenhuma configuração adicional e sem precisar criar múltiplas conversas.
Para os cards de listagem, a prioridade foi clareza imediata. O responsável precisava ver, de relance, qual medicamento era para qual filho e em que período. Tratamentos ativos ficam com o card em verde; os encerrados ou vencidos aparecem em cinza. A leitura acontece antes mesmo de o usuário processar conscientemente que está lendo.
A ação de encerrar um tratamento antecipadamente ficou disponível só para o responsável, não para a escola. Dessa forma, a família pode decidir se quer encerrar com antecedência por alguma orientação médica específica e evitamos casos onde a escola encerrou uma aplicação de medicamento antes da hora.
O campo de intervalo de dosagem foi um trade-off deliberado. O ideal seria um seletor estruturado onde o responsável escolhe o tipo de medicamento, a quantidade, o intervalo em horas e o horário da primeira dose. Só que construir isso com o prazo que tínhamos não era viável. A decisão foi deixar o campo aberto, em texto livre, e garantir um lançamento seguro. Eu sabia que estava abrindo mão de uma experiência melhor a curto prazo, mas a alternativa era atrasar o projeto inteiro ou lançar algo incompleto. Evoluir esse fluxo ficou explícito no roadmap desde o início.
O módulo também foi desenhado para escalar além do problema imediato. A estrutura centrada no estudante abre caminho para evoluir futuramente para um sistema de ficha de saúde mais completo.
Resultado
Medimos o tempo que os professores levavam para encontrar e agir sobre as instruções de medicamento antes e depois da introdução de uma versão de acesso antecipado do módulo. O tempo caiu de 3 minutos e 3 segundos para 1 minuto e 27 segundos, uma redução de cerca de 50%. Mais importante do que o tempo, o módulo eliminou os registros de medicamentos perdidos. Antes havia casos documentados de erros causados pela dificuldade de localizar as instruções corretas, com o módulo em operação esse número chegou a zero, sem que fosse necessário reescrever nenhuma parte da arquitetura existente.

